Ainda ontem, conversando com uma amiga, fui criticado pelo meu post dos "estados civis" existentes hoje, quando falo dos peguetes, ficar, ficar sério, etc. Segundo ela nada mais natural do que se "ir devagar" defendendo que o "ficar" é apenas para ir se conhecendo, enquanto o "ficar sério" é apenas uma condição onde há sentimento e então se passa ao "namorandinho" (que eu não tinha colocado na lista) que se tudo der certo pode virar um namoro, que por sua vez pode virar um noivado que por sua vez pode virar um casamento, que pro sua vez pode criar, ou não, uma família.
Então fiquei pensando nos tantos "passos de desenvolvimento" da sociedade.
Um antropólogo famoso, chamado Mircea Eliade, propôs uma teoria (ou defendeu uma teoria pré-existente) de que todas as sociedades do mundo possuíam rituais para marcar certos eventos "universais" independente das sociedades. Segundo ele toda sociedade tem o seu ritual a respeito do nascimento (um novo indivíduo entra para o grupo) que pode ser batismo católico, apresentação no templo, a mutilação da menina, o ser jogado ao vinho o ser levado à gerúsia, etc. Um ritual a respeito do tornar-se adulto, seja crisma, bar-mitzva, ser picado por formigas, ter a primeira relação sexual em um prostíbulo (dependendo sempre da época e do local, mas de certa forma padronizado por culturas) Um ritual a respeito da formação de uma nova família (casamento) um ritual a respeito da morte. (velar, cremar, enterrar, etc.)
Caso essa teoria dele seja verdade, haveria vários estratos de desenvolvimento em uma socidedade:
Nascido mas não adulto (criança)
adulto mas não chefe de família (jovem)
chefe de família (pai)
morto
Entretanto, cada vez é mais comum vermos coisas do tipo "recém nascido, bebêzinho, bebê, criancinha, criança, pré-adolescente, adolescente, jovem, adulto, Cinquentão, Sessentão, Terceira Idade, etc"
Talvez, essa estratificação em camadas não muito bem definidas é que tenha se espalhado para os relacionamentos, e o que antes era um rito único da passagem de adulto para adulto pai de família, tenha se tornado um ritual de etapas infinitas.
Veja ... na Idade Média, na Europa Católica tínhamos:
O casamento é arranjado entre as famílias, casou-se e dura para sempre.
Para evitar a tortura cruel e se casar com alguém desconhecido e que não se goste muito, inventou-se o noivado, que permitia aos noivos conhecerem-se um pouco antes do casamento, que durava para sempre.
Mas o noivado era sério de mais, então inventou-se o namoro, para se ir conhecendo pouco a pouco, agora já escolhido pela própria pessoa, que poderia ou não evoluir ao noivado, que por sua vez poderia ou não evoluir para o casamento, que teoricamente deveria durar para sempre, ou não.
Entretanto, o namoro passou a parecer sério de mais, então inventou-se o ficar, que permitia ir se conhecendo sem compromisso várias pessoas, até se achar aquele que se queria namorar, ou não, que poderia se noivar, ou não, que poderia se casar, ou não, que poderia criar uma família com filhos, ou não, que poderia durar pelos anos da vida, ou não.
Mas como o ficar, era muito aberto, surgiu o "ficar sério" e vejam como ficou. Você vai ficando, até escolher alguém, ou não, com quem você quer ficar sério, ou não, e aí depois de "ficar sério" ou não, você escolhe que vai namorar, ou não, mas ainda é "namorinho" ou não, para depois virar namoro firme mesmo, ou não, para depois virar noivado, ou não, que poderá então dar em casamento, ou não, que poderá gerar uma família, ou não, que poderá durar a vida inteira, ou anos, ou meses, ou não.
A situação é tão crítica que o governo brasileiro precisou criar a lei da "união estável" dizendo que mesmo que um casal não tenha casado, se a união for estável, eles passam a ter certos direitos. Tamanho é o medo das pessoas em casarem.
A questão é ... tantos estágios de proteção para os envolvidos tem que origem? que objetivo? funcionam? que ganhos e que perdas trazem para a sociedade?
É claro que eu não quero voltar à era medieval! É claro que eu não quero ser hipócrita de dizer que não haja muitas vantagens na revolução sexual do mundo moderno, seria ridículo fazê-lo ... mas será que a giganteca quantidade de barreiras que se está criando é eficiente? é sábia? funciona? Será que um mundo onde as pessoas podem sair uma noite diferente com um parceiro sexual diferente realmente faz com que alguém se complete? Será que nessa sociedade ainda há espaço para se conviver? para se conhecer profundamente alguém? Eu creio que o modelo de família está sendo alterado, e isso pode ser bom, porque tivemos várias alterações de modelos familiares na história, veja, não existem mais famílias com 12 filhos, agregados, e escravos domésticos, como 300 anos atrás. Mas para onde estamos caminhando? Será para um mundo de almas solitárias e eternamente insatisfeitas? Ou para algo muito mais harmônico, verdadeiro e cheio de felicidade? Por algum motivo tenho tido dificuldades em apostar na segunda escolha.
Pensamentos soltos de um diário aberto de um homem, que não é nada mais do que isso, um homem.
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Um espaço onde eu possa falar abertamente o que penso, da forma mais clara possível, ainda que desorganalizada, ainda que imprecisa, ainda que irracional, mas sincera, do fundo da alma. Não é um blog para ser divulgado, é um grito de desespero ou de esperança, onde não posso mais ficar calado, e preciso deixar a alma ou o coração falarem. Se por qualquer motivo você caiu aqui, leia, comente, compartilhe, xingue, não importa, nada pior do que um grito inaudito.
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