Uma coisa que eu posso dizer sem sombra de dúvida, no meio de tantos pensamentos confusos que tenho, é que a alma humana não nasceu para ser solitária. Não consigo crer que haja uma pessoa neste mundo, por mais autossuficiente que seja, por mais segura de si, por mais espiritual ou autocontrolada, que se sinta completa no isolamento. Sei que essa afirmação desafia muitas crenças religiosas de isolamento, crenças monásticas, e talvez por essa afirmação eu esteja enfrentando ao menos umas quatro religiões orientais além de diversos grupos ocidentais. Mas tirando pela minha alma, e de tantas pessoas com as quais converso, não posso deixar de pensar diferente. (Mas tudo bem, farei uma excessão, a não ser em caso de extrema iluminação pessoal, a alma humana não pode ser feliz ou completa solitária)
Lá pela época do renascimento, segundo alguns teóricos, representado de forma oculta pela imagem do "Último Toque" de Miquelângelo, na Capela Cistina, as pessoas já haviam sugerido a ideia de um "homem primervo". Trata-se de uma seguinte interpretação do relato bíblico sobre o surgimnento de Adão e Eva. Deus teria moldado a forma de Adão no barro e soprado em suas narinas. Apenas a partir daí é que a estátua de barro havia ganhado vida. Segundo essa interpretação Deus teria soprado a alma em Adão. Entretanto, ao fazer Eva, Deus apena retira a costela e faz Eva, não há qualquer menção de um sopro. Quer dizer que a mulher não tem alma? Não se poderia jamais sugerir isso. Segundo esse pensamento (claro que nunca aceito pela Igreja) Deus teria colocado ao mesmo tempo as almas de Adão e Eva dentro do corpo de Adão, uma alma dupla, de homem e mulher, que se completavam. Mesmo assim Adão se sentia solitário, pois não consegui ver aquilo fora de si, por isso Deus fez Eva e quando tirou a costela a alma da Eva foi junto. Deste então homem e mulher não são completos, buscam um ao outro para se completar, e, segundo essa interpretação, a bíblia diz que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. A grande capacidade de Deus segundo essa parte do relato era criar por amor e ver que era bom. E é apenas quando une-se homem e mulher que se cria uma nova vida.
Também os pensadores gregos chegaram a ideias parecidas, como a ideia de que humanidade tivesse sido criada com quatro braços e quatro pernas, homem e mulher grudados, e os deuses gregos é que teriam feito a divisão, e isso explicaria a necessidade de homem e mulher se unirem.
Até mesmo líderes de movimentos homossexuais, ao defenderem que um homossexual é uma alma de um gênero presa em um corpo de outro gênero, aceitam a ideia de que há almas que precisam se completar (embora, óbvio, isso não seria concenso, uma vez que há os bissexuais ou os triasais, como já citado aqui) Até mesmo na filosofia oriental do Taoísmo, os princípios feminino e masculino (yin e yang) unidos formam o TAO, ou seja, há necessidade de se unir homem e mulher.
Por que estou escrevendo isso? Me desespera a ideia de ver um mundo onde o conceito de suas pessoas se unirem não apenas corporalmente, não apenas fisicamente, mas unirem seus pensamentos, seus sonhos, compartilharem-se intimamente (não no íntimo de um corpo desnudo apenas, mas no ínitimo de uma alma desnuda) esteja se perdendo. Cada vez mais vejo as pessoas aceitando relacionamentos superficiais. Ao mesmo tempo que levados por uma mídia que faz crer em "contos de fadas" na prática, tantas desilusões criam barreiras instransponíveis, ideias de que é possível e até desejável viver sozinho, com meros e simples momentos de contato com o outro alguém. Quantos já não defendem a eterna troca de parceiros em uma renovação que pretensamente deveria criar um eterno estado de paixão e euforia, mas que na prática, pelo que vejo, cria a impossibilidade do apaixonar-se, do descobrir o amor?
É claro que isso é uma ideia no mínimo confusa, uma vez que eu me separei de um relacionamento de 9 anos, depois de 7 anos de casado. Como posso ter moral parar dizer o que digo? Confesso que não a tenho. Mas continuo crendo que seja possível se reapaixonar infinitas vezes pela mesma pessoa, e continuo profundamente crendo que um relacionamento já pode ser completo se puder compartilhar mais do que uma cama, mais do que as contas, se puder se compartilhar projetos, sonhos, medos, se houver cumplicidade, se houver o desejo de que as almas se toquem. Puro romanticismo infantil? Talvez, mas sinto meu peito pulsar esse desejo. Eu, sozinho, dentro de mim, sinto uma eterma solidão. E essa solidão parece não ser alterada pela presença de pessoas fora, parece que a única forma de que haja alguma mudança é a possibilidade de haver uma pessoa dentro, ou ao menos tão dentro quanto se for possível.
Mas isso não é perigoso? Não vai contra todas as regras da auto-preservação? Sim, admito que vai. Se tiramos todas as nossas armaduras psíquicas para receber alguém e este alguém nos trai, nos abandona, nos ignora, a dor é mortal, pois o golpe vai fundo ao "coração da alma" se é que alguém me permite essa junção de palavras. Ao mesmo tempo, a proteção para impedir que isso acontece só faz o mesmo "coração da alma" adoecer de solidão. É preciso se arriscar, é preciso se entregar. Sem dúvida, só se faz isso com alguém em a quem se conheça adequadamente para crer que as chances são maiores, não se abre a alma para qualquer um na esquina, seria suicídio. Ao mesmo tempo, percebo que a maior parte das pessoas não está pensando em caminhar para esse estágio, ou por não crer que ele exista, ou por crer que ele seja perigoso de mais.
Faz sentido tudo isso?
Confesso que nem ao menos sei ... mas essa é a proposta deste blog, pensamentos sinceros, falados sem medo, ainda que ninguém os possa compreender.
Pensamentos soltos de um diário aberto de um homem, que não é nada mais do que isso, um homem.
Ideia do Blog
Um espaço onde eu possa falar abertamente o que penso, da forma mais clara possível, ainda que desorganalizada, ainda que imprecisa, ainda que irracional, mas sincera, do fundo da alma. Não é um blog para ser divulgado, é um grito de desespero ou de esperança, onde não posso mais ficar calado, e preciso deixar a alma ou o coração falarem. Se por qualquer motivo você caiu aqui, leia, comente, compartilhe, xingue, não importa, nada pior do que um grito inaudito.
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quarta-feira, 25 de maio de 2011
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